Vasco Pulido Valente, sobre Mário Soares
Acho que é a primeira vez que vejo o Vasco Pulido Valente dizer algo positivo sobre alguém, bom, acho mesmo que é a primeira vez que o vejo dizer algo positivo sobre qualquer coisa.
Apesar de começar a crónica, e bem, descrevendo o facto de Soares já não ter nenhuma influência no mundo politico europeu, pelo facto dos seus amigos já terem morrido ou pelo simples facto de já não estarem no poder (Miterrand, Delors, etc.), termina com este brilhante apontamento.
«(...) nesta melancólica campanha, que lhe corre mal e não se endireita, Soares chegou inesperadamente a uma certa grandeza. Mesmo errando em tudo, ou quase tudo, não erra no principal: a fidelidade a si próprio e ao que sempre desejou na vida. Herdeiro de uma grande tradição política e parte proeminente dela, não suporta um homem sem passado, autoritário e vazio, à frente da República. Aristocrata e cosmopolita, odeia esta "Europa" incivilizada e "americanizada", dividida e conflituosa, que se afunda pouco a pouco, entregue a nulidades de ocasião. E não consegue ficar quieto no seu canto, "empalhado", "Pai da Pátria", enquanto cai à volta tudo aquilo que ele admirou e por que sofreu. A coragem de resistir nunca lhe faltou e não lhe faltou agora, na altura mais difícil.
É bom que ele exista.»
Vasco Pulido Valente, «É bom que ele exista», Público, 20.11.2005
Apesar de começar a crónica, e bem, descrevendo o facto de Soares já não ter nenhuma influência no mundo politico europeu, pelo facto dos seus amigos já terem morrido ou pelo simples facto de já não estarem no poder (Miterrand, Delors, etc.), termina com este brilhante apontamento.
«(...) nesta melancólica campanha, que lhe corre mal e não se endireita, Soares chegou inesperadamente a uma certa grandeza. Mesmo errando em tudo, ou quase tudo, não erra no principal: a fidelidade a si próprio e ao que sempre desejou na vida. Herdeiro de uma grande tradição política e parte proeminente dela, não suporta um homem sem passado, autoritário e vazio, à frente da República. Aristocrata e cosmopolita, odeia esta "Europa" incivilizada e "americanizada", dividida e conflituosa, que se afunda pouco a pouco, entregue a nulidades de ocasião. E não consegue ficar quieto no seu canto, "empalhado", "Pai da Pátria", enquanto cai à volta tudo aquilo que ele admirou e por que sofreu. A coragem de resistir nunca lhe faltou e não lhe faltou agora, na altura mais difícil.
É bom que ele exista.»
Vasco Pulido Valente, «É bom que ele exista», Público, 20.11.2005

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Posted by
Alexey |
10:19 AM
eu também admiro a coragem do Soares, mas fica-lhe tão mal estar sempre a atacar o cavaco...pá...
Posted by
covinhas |
4:09 PM