O livro que elegi para ler nas férias, aconselhado pelo meu irmão, foi "O retrato de Dorian Gray".
Dizer que o livro me fascinou seria dizer pouco.
Deu-me também a conhecer Lord Henry, a minha personagem de eleição; nobre hedonista com uma filosofia de vida, teórica apenas, dificil de resistir.
Um pedacinho:
"Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expessão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico.
Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso.
A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal.
Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro.
É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo."Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"