Esta
senhora, que tem um dos blogues mais interessantes da blogosfera (não gosto nada desta palavra). Decidiu provocar-me - a mim e a uma série de maltosa com características mais ou menos comuns.
Como sou muito hôme; retorqui:
“Não consegui resistir, foi mais forte do que eu...
A resposta:Na verdade eu teria medo de ser mulher. eu asfixiava, se fosse mulher.
É a depilação, o medo de estar fora de moda, os cuidados constantes e permanentes com a aparência. São os saltos altos, verdadeira tortura do mundo moderno, o cabelo que só seca depois de longos minutos, é o rímel nos olhos, o blush, a sombra, e as duzentas e cinquenta coisas que guardo na casa-de-banho. Mas isto é só o princípio.
Depois, bom, depois é querer igualdade de direitos mas gostar tanto que nos abram a porta, que nos protejam e nos paguem o jantar. Não gostar de machistas, mas gostar de homens másculos, mesmo que isso seja muitas vezes um contra-senso.
Também não gostaria, se fosse mulher, de ser muito bonita, porque sei de antemão que 95% dos homens com quem tivesse uma relação, de amizade ou profissional, já que os restantes 5% seriam familiares, tinham como objectivo, consciente ou inconscientemente, outro tipo de relação em mente.
Sabia também, se fosse uma mulher com as mamas grandes, quando falassem para mim teriam muito dificuldade em olhar para mim acima do pescoço. Se tivesse as mamas pequenas diriam que saio ao Pai.
Se fosse feia, ou mesmo menos bonita, e boa profissional, diriam que tenho é falta de peso; se fosse bonita diriam que dormia com o director da empresa.
Não seriam só os homens a dizer isso, aliás, seriam mais as mulheres.
Teria muitas amigas, e muitas delas sorririam muito quando estão comigo, mas a maior parte deles diria nas minhas costas: que estou mais gorda, que o meu namorado é um sacana e eu sou uma coitadinha, e que ando com a mania desde que fiz as novas madeixas.
Ah, tinha que ter madeixas.
Não gostaria de chorar quando vejo telenovelas, não gostaria de me masturbar sem me sentir culpada, não gostaria de não gostar de cozinhar sem me sentir culpada, não gostaria de fazer desporto sem sentir que estaria a perder a minha feminilidade, não gostaria de, efectivamente, saber que a maior parte das mulheres são menos hábeis ao volante, não gostaria de saber que sou o alvo preferencial para violadores e assaltantes, e saber que pouco poderia fazer porque fisicamente seria mais fraca do que a quase totalidade dos homens.
Também não gostaria de andar na rua e ouvir piropos e não poder mandá-los para a puta-que-os-pariu só porque não fica bem a uma mulher dizer essas coisas, não gostaria de comprar revistas que só dizem banalidades, que tem 300 páginas de publicidade e que me dizem o que devo vestir e como devo ser.
Não gostaria de não me arrepiar todo ao ver o 1º golo do Maradona contra a Inglaterra e só conseguiria tirar o soutien após 5 minutos de árdua luta.
Resumindo; eu não gostaria de ser mulher, da mesma forma que a grande maioria de vocês não querem ser homens.
mas também não mudava nada, porque, incrivelmente, gosto mesmo é de vocês assim.”