« Home | Anche Tu?! » | Contra-a-corrente. » | Hoje é o dia mais pequeno do Ano. » | Pai Natal sponsored by Coca-Cola? » | Preciosidades Aveirenses II  » | Preciosidades Aveirenses  » | Toca a votar nos rapazes! » | E as sapatilhas mais bonitas do Mundo vão para... » | Programa de final de tarde... » | O meu clube é o melhor do Mundo! » 

quinta-feira, dezembro 23, 2004 

Ainda os plágios.

Aquilo que estava para ser apenas um texto sobre a temática do plágio (de um dos seus posts), acaba por ser muito mais que isso, e aborda um conceito, que, para mim, é absolutamente essencial num ser humano: a Honestidade.

O texto, da autoria de Vieira do Mar, está tão bom que resolvi plagiá-lo na integra.

p.s.- se não quiserem ver a versão plagiada poderão ver a original aqui.

"o post

Avisada por um leitor (via mail) fui a um blogue que desconhecia e deparei-me com o copy paste integral de um texto meu, com a autoria implicitamente assumida pela pessoa que ali o havia postado.Havia já alguns comentários pressupondo tal autoria, e eu identifiquei-me e comentei também dizendo que o texto havia sido escrito por mim.Tudo teria ficado por aí não fora o facto de, movida pela curiosidade, ter lá voltado e constatado que a caixa de comentários do post em questão, zás!, havia desaparecido como que por magia.Perante o dolo evidente do/da blogger em questão, expus a sacanice publicamente.

o blogue

Este blogue não é a amnistia internacional nem eu sou a madre teresa. Sou apenas apenas uma gaja vulgar e egocêntrica, muito ciosa daquilo que os seus miolos produzem (com esforço) e que tem o defeito de escrever exactamente aquilo que sente, sem pachorra para rodriguinhos nem cerimónias com gente que não lhe diz nada ( e isto é importante!).Mantenho na íntegra o meu post anterior sobre a questão (pelos vistos alterando o género) pois não sou de me deixar levar por patéticos actos públicos de contrição. O meu perdão pega de estaca, mas para isso é preciso que a terra seja de muito boa qualidade, assim tipo turfa (esta analogia é só para jardineiros...adiante).

a questão jurídica

Veio-me primeiro à ideia a perspectiva jurídica da coisa, mas depois achei que se prestaria a demasiados esclarecimentos técnicos, esmiuçados e desinteressantes. Até porque não estamos a falar de abuso de liberdade de imprensa ou de crime de usurpação ao abrigo da lei dos direitos de autor: ainda não é pacífico que um blogger, anónimo ou não, beneficie da tutela jurídica dos direitos autorais, na mesma medida que alguém que publica algo de seu numa publicação escrita, por exemplo. Lá chegaremos (e eu talvez volte ao assunto, quando tiver opinião formada, o que ainda não é o caso).

a questão moral

É a que verdadeiramente me importa.De um modo aldrabado (que foge descaradamente com o rabo à seringa dos considerandos etimológicos), refiro-me à ideia dos julgamentos de valor que fazemos com base na distinção entre o que está bem e o que está mal, e no conjunto de regras universalmente válidas que daí resulta e que basicamente mais não são do que os princípios que as pessoas decentes, sejam pobres ou ricas, cultas ou ignorantes, transmitem de geração em geração.Ora, transcrever um texto de outra pessoa como se fosse nosso é, antes de mais, algo moralmente condenável e a questão jurídica vem depois (pode coincidir com aquela se, como Santo Agostinho, encaramos a coisa do ponto de vista do Direito Natural, o que daria pano para mangas, por isso, seguindo para bingo).Confesso que me atrai aquela cena kantiana da necessidade de termos convicções fortíssimas quanto ao que está certo ou errado; agrada-me a ideia do imperativo categórico que nos conduz nas encruzilhadas práticas da vida com a segurança de um farol a apontar sempre para o mesmo lado. Quanto mais não seja, porque reduz consideravelmente a incidência de dilemas morais.

a questão da honestidade

A honestidade (uma coisa que me impede de palmar pacotinho de açucar ou palavrita alheia que seja), tenho-a gravada a ferros de ganadeiro na lombeira deste meu mau feitio (e não há nada a fazer).Um gajo pode ser um filho da puta egoísta e narcísico, e ser ao mesmo tempo irrepreensivelmente recto e íntegro. Porque ser honesto não é algo que possa ser só às vezes. Da mesma forma, nunca um acto desonesto surge apenas porque "valores mais altos se levantam".A honestidade é uma das manifestações de carácter mais absolutas e coerentes que existem por isso uma pessoa intrinsecamente honesta NÃO age de forma desonesta. Aquilo que, no caso, pode parecer um acto desonesto, na verdade não é mais que um engano, lapso, esquecimento ou resultado de coacção ( sim, pronto, mais eflúvios kantianos, admito...).Já uma pessoa desonesta, não consegue branquear a desonestidade, por mais causas justificativas que apresente. A desonestidade é como uma marca de água numa gravura, que lhe dita a qualidade e a proveniência, e perante a qual o suposto arrependimento não faz qualquer sentido.

Concretizando.Quem nos rouba um texto, uma imagem, um som, rouba-nos um bocadinho da alma, assim como quem fotografa uma tribo primitiva. E quando o texto, imagem ou som aparecem escarrapachados numa publicação e assinados por outro, o caso é tanto mais grave quanto quando à satisfação pessoal se junta uma compensação monetária - sendo ambas não devidas. Destes casos graves fala a Catarina, aqui.

Vem-me à ideia a Clara Pinto Correia e o texto dela na Visão de alguns anos, copiado de uma revista americana. As desculpas que se seguiram ao plágio, atabalhoadas e assentes nas suas condições pessoais de vida, escarrapacharam-lhe o carácter desonesto perante o país inteiro. Naquela situação, só um engano, lapso, esquecimento ou coação CONVINCENTES teriam sido aceitáveis - o que não foi o caso. A partir de então, muitos de nós passámos a ver alguém que antes admirávamos à luz de outras cores - como uma fotografia descolorida no photoshop, com um save as definitivo.

É trágico passarmos a vida a inventarmo-nos papéis sociais para as várias realidades por onde pululamos e tentamos mostrar aos outros que somos mais ricos, mais cultos, mais talentosos, mais generosos, mais bonitos, mais fortes...enfim: melhores do que aquilo que nos achamos.Não digo que devamos ser absolutamente genuínos e verdadeiros vinte e quatro horas por dia. Há silêncios, abstenções, cochichos, meias verdades, reservas mentais, segundos sentidos, terceiros e quartos, que importa preservar, para evitar males maiores. É que este mundo é cão (às vezes um bocadinho raivoso e tudo) e ainda nos morde as canelas se nos der para as expor em toda a sua ossuda nudez.

Esta realidade virtual em que nos movemos é especialmente propensa à aldrabice e à mistificação. Faltam-nos os olhos nos olhos, o bafo na cara, o toque no ombro, os timbres da voz e do coração a ressoarem-nos no ouvido, para identificarmos os outros devidamente e sermos identificados por eles. Construímos por entre os bits cibernéticos personagens que gostaríamos de ser e nas quais os outros acreditam. Eu, tal como toda a gente por aqui, já estou um tudo-nada presa da minha personagem, que por vezes me quer fugir das mãos.
O segredo é deixarmo-nos prender só um bocadinho e não transigir naquilo que realmente importa, a consciência - essa feroz guarda prisional que vigia a nossa liberdade de ofender, criticar, copiar, citar, plagiar, lincar, deturpar e por aí fora, mantendo-a bem presa por detrás das grades de ferro da honestidade.

Não parece simples, mas é. Tão simples. Pelo menos para mim."
in, contoversamaresia.blogspot.com

Isto NÃO É plágio. :)

vieira do mar

ufff, estava preocupado, não fosse eu ter cometido uma desonestidade honesta ;)

Enviar um comentário

Links to this post

Criar uma hiperligação